|
Os
depoimentos que aqui se encontram foram retirados de cartas, cartões,
e-mails recebidos pela facilitadora, assim como, trechos de importantes
relatos trazidos na intimidade verbal. Vale ressaltar que, por questões
éticas, o nome do participante não foi mencionado, visto
que, na Biodanza como em outras técnicas de terapia de grupo, o
sigilo sobre as questões individuais faz parte do trabalho terapêutico,
pois o processo de descobertas é de cada um.
Melhor seria deixar que palavras surgissem do olhar nos olhares Da emoção que na hora nasce Seguir crescendo a cada passo, na dança da vida Ir porque o momento pede Mas, sobretudo, por um pedido íntimo do ser Viver e ver o que virá Jamais sucumbir à ansiedade Dominando-a, vivendo a maravilha de cada instante Reconhecendo os limites, vencendo a timidez E sendo forte contra os próprios medos Descobrir-me como luz, criação divina De novo amar e permitir-me ser amada E chorar, se preciso for. Não é fraqueza E sabendo a tudo e a todos dizer o exato “sim” ou “não” Ir, muito mais serena do que ao chegar Saio a procurar o Minotauro Mas se ainda sou um labirinto, Mudo o poeta: não me perco em mim Nem de mim sinto saudade Pois jamais me abandonei E ter estado aqui foi conseqüência disto... Sexo feminino, Bacharel em Letras, 30 anos
"Para mim Biodança é resgate da ação
e do movimento, energia, vida e renovação". Sexo
feminino, Psicóloga, 46 anos
 |
Dança de extensão harmônica - Linha da Vitalidade |
“Quero dizer para aqueles que pretendem conhecer a Biodanza
que o façam com abertura para sentir e se transformar. Quero dizer
que muito do que sou hoje é fruto de um trabalho que comecei na
Biodanza, no grupo de Simone há dez anos atrás, e que continuei
trabalhando em análise e no meu dia-a-dia. Este trabalho da Biodança
é transformador e embora, não possamos perceber isto tão
claramente no momento em que estamos no grupo e enquanto dançamos,
as mudanças vão acontecendo num nível sutil, porém,
definitivo. E esta transformação é sempre para melhor.
Hoje vivo minha vida mais leve, mais solta e menos rigorosa, sei viver
o que a vida me apresenta: os momentos fáceis e também os
difíceis. Encontro em mim a leveza da Garça, a força
do Tigre e o desfrute do Hipopótamo! À benção
Simone Noronha e a todos os profissionais que levam com seriedade este
trabalho tão bonito”. Sexo feminino, Bancária,
38 anos
“Tenho feito muitas reflexões a partir do encontro
passado, onde dançamos o desapego das pessoas. Conectei-me imediatamente
com o término de uma amizade e senti uma imensa saudade. Percebi
que esta saudade me levava a um sentimento de angústia, uma “angustia
positiva”. Na verdade era um sentimento de desapego não de
uma pessoa, mas de alguns comportamentos que sempre usei para levar a
vida. Isso me assusta um pouco, mas é muito bom, pois vi como fico
longe da minha “essência” e dos meus valores quando
me envolvo em relações onde eu tenho que ser, tenho que
fazer, tenho que provar, etc. Na Biodanza estou aprendendo a ser eu mesma,
eliminando máscaras, representações e comportamentos
tão distantes de mim. Estou me respeitando mais, estou construindo
minha identidade. E, nesse encontro eu tive um sentimento do quanto eu
me encontrei em algo que eu goste tanto e que tem tanto a ver comigo.
Receber seu cuidado e das pessoas do grupo tem sido muito importante.
Sinto meu silêncio, meu não, meu sim serem respeitados. Não
me sentir cobrada a “ter que”, não ter a sensação
de estar sendo julgada o tempo todo, ser natural, ter limites e dificuldades,
ter respeitada minha natureza... tudo isto me fez pensar há quanto
tempo me negligenciava. Às vezes fico me perguntando por que eu
amo tanto da Biodanza e por que não esquivei desse trabalho (como
sempre), sendo que convites para “fugir” não faltam.
Acho que é porque minha “essência” buscava isso,
pedia isso, mas as máscaras não deixavam e quando eu encontrei,
foi como uma identificação com meu “eu”.
Sexo feminino, Analista de Qualidade de Software
(SQA), 33 anos
“Biodança é a dança da vida, porque através
dela, vivemos e revivemos a nossa própria vida”. Quer dizer,
não tão própria como podemos pensar, assim em uma
primeira reflexão. Vivemos e revivemos a arte do encontro com o
outro e com o mundo. Assim, espelhando-se no grupo, no outro, vamos conseguindo
nos ver cada vez de mais perto. Vamos aprendendo a nos ouvir. Vamos permitindo-nos
sentir. E aos poucos nos entregando para que o outro possa também
nos ver, nos ouvir e nos sentir. Encontrando um novo caminho para viver
a vida, vamos fortalecendo-nos para mostrar ao mundo quem somos e porque
estamos aqui. O processo demanda tempo, doação e coragem,
como tudo na vida, mas é norteado por muito afeto e prazer.
Dançando vamos apreendendo a dançar a dança mais
importante de todas, a da vida. Ora ritmada, ora lenta, só ou acompanhada.
Nós somos quem escolhemos como, onde, quando, com quem e de que
jeito queremos dançar. Podemos também em alguns momentos
nos permitir não dançar, esperar e silenciar. Pois sabemos
que somos assim, e se aceitar é o primeiro passo para se amar.
Até que o afeto emanado do grupo nos transforme e nos faça
ter a plena certeza de que fomos aceitos, também pelo mundo que
nos cerca. Simplesmente porque somos únicos, na nossa alegria e
na nossa dor. Seguimos então, dançando e percebendo
no próprio corpo, o ritmo, o movimento, o compasso da nossa, agora
mais própria, vida. Os braços vão ensinando quanto
estamos dispostos para voar ou, para acolhermos ou deixarmos ser acolhidos
por outros braços. As pernas nos dizem o quanto a caminhada está
leve ou não. As mãos solicitam ou rejeitam o toque do outro,
se abrindo ou se fechando. A organização do corpo no espaço,
no tempo, no ritmo da música, nos fala sobre a coerência
entre o pensar, o sentir e o agir. Todas as partes do corpo são
em potencial canais de expressão. É como se o próprio
corpo tentasse uma nova forma de comunicação. Dançar
permite nos acessar profundamente. A dança vai assim, tomando seu
corpo, e te levando pra dentro de você. Ao mesmo tempo, te leva
também para encontrar o outro no seu mais íntimo, enquanto
ele também dança. Mas só se você quiser, porque
não querer também é permitido. “Biodançar”
me fez descobrir uma outra linguagem entre os "Eus" que existem
em mim. Fundiu uma forma de expressão do meu corpo para a minha
alma. A dança foi ponte. Agora eu tenho o privilégio de
auto-comunicar. Desta forma me sinto muito mais forte pois entendi que
a minha dança, assim como a minha vida, é minha mesmo, é
própria e de uma grandeza inigualável”. Sexo feminino,
Fisioterapeuta, 30 anos

|